16/05/2014

A língua e o Jovem



                    Hoje fui assistir a uma peça de teatro baseada na obra, "A farsa de Inês Pereira", de Gil Vicente, reconhecidamente  pioneiro do teatro Humanista português. A peça nos conta que Gil Vicente e seus guerreiros que formavam uma espécie de grupo teatral, foi desafiado por um fidalgo a encenar uma apresentação baseada no dito popular "Mais quero um asno que me carregue do que cavalo que me derrube". Resumidamente, ele consegue, e consegue fazê-lo tão bem, que a obra consegue ser atemporal, ele consegue atribuir conflitos psicológicos a personagem e criticar o comportamento moral da sociedade em uma época que ninguém fazia isso, e sinceramente senhores, a história é simples, e por isso é encantadora. Você pode saber como ele fez isso clicando aqui até porque o objetivo desta coluna não é analisar a peça vicentina, mas a outra peça, a baseada na de Gil Vicente, e a linguagem usada por eles para se comunicar com o público jovem.

               O português arcaico e o usado atualmente foram temas de piada durante a peça, e logo nos foi explicado que uma adaptação foi feita para receber este tipo de público, o de adolescentes, e olha só, adivinha qual o elemento que eles colocaram nessa adaptação? Palavrões. Isso foi de extremo mal gosto.

                Mas eu explico, não há problema em adaptar a linguagem da peça para um público mais atual, (inclusive usando palavrões), até porque o objetivo não é entender a construção das falas no português antigo, mas a temática da história e a contextualização com o período histórico. Não é como em um livro que na adaptação se perde muito da riqueza da obra. O problema é que os palavrões foram usados a todo momento como alívio cômico, isso é desnecessário, você pode produzir riso sem recorrer aos palavrões, ou piadinhas sobre sexo, muito usadas durante a peça também.

            Me senti idiota ao ser incluída num grupo que classificaram como incapaz de entender ou se entreter com a peça caso não ouve- se uso de tais artifícios. Isso me faz refletir sobre como a sociedade vê os jovens, e sobre como eu me vejo. Concordo que uma porta de entrada para o universo juvenil é aprender a "linguagem" deles e seus maneirismo, porém há regras. O jovem não é levado a sério. Pois bem, vocês não me levam a sério que eu também não levo vocês.


        Talvez eu esteja crescendo e o que muitos podem julgar como "conservadorismo" seja reflexo de uma Maria, mais velha e rabugenta, mas tudo bem pra mim.

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Texto escrito por Maria Luiza